quarta-feira, 12 de março de 2014

Degustação: "ABC Contos Curtos", Asno (Âne)

Havia, em uma aldeia, uma pobre velha, que tinha como companhia um pequeno asno. Ela o amava muito, porque ele era inteligente e bom, e ele parecia feliz por transportar em suas costas hortaliças e mantimentos que ela comprava no mercado da cidade. 

Mas alguns meninos maus costumavam rir da velha mulher e de seu pequeno asno. 

Um dia, eles gritaram para a velha: 

“Olá, mãe de asno!” 

“Olá, meus filhos,” respondeu a velha senhora. 

O asno, por sua vez, pareceu zombar deles, movendo suas orelhas e os meninos não conseguiram pensar em nada para responder. 

terça-feira, 11 de março de 2014

A Rainha da Neve: "Clássico atualizado da Disney em "Frozen: Uma Aventura Congelante" leva Oscar"

Los Angeles (EUA.), 2 mar (EFE).- "Frozen: Uma Aventura Congelante", uma detalhadíssima história de animação, com princesas, heróis e vilões, ganhou neste domingo o Oscar de melhor filme de animação, o primeiro para a Disney, que conseguiu a vitória com uma atualização de um clássico da literatura infantil.
Uma história modernizada, mas com o sabor clássico dos filmes mais tradicionais da Disney, venceu o irreverente animação de "Meu Malvado Favorito 2", de Universal; "Os Croods", um produto típico da DreamWorks; à delicadeza francesa de "Ernest & Celestine" e a "Vidas ao Vento", do mestre japonês Hayao Miyazaki, em uma edição na qual pela primeira vez a Pixar esteve ausente da disputa.
"Frozen: Uma Aventura Congelante", dirigida por Chris Buck, roteirista de "Pocahontas" e responsável por "Tarzan", e Jennifer Lee - que escreveu o roteiro de "Detona Ralph", é uma adaptação de um conto clássico, "A rainha das neves", de Hans Christian Andersen, que soube unir elegância com humor em uma filme esteticamente muito cuidadoso. Continua em Yahoo!Notícias

segunda-feira, 10 de março de 2014

"Degustação": O Conto do Vento

Quando o Vento varre uma relva, ele faz pequenas marolas como em um lago; em um milharal, ele faz grandes ondas como no mar: essa é a travessura do Vento. Então ouça as estórias que ele conta; ele as conta em bom tom, como música entre as árvores da floresta e, de modo diferente, quando espremido entre paredes com todas as suas fendas e rachaduras. Você sabe como o Vento persegue as nuvens brancas como se fosse um rebanho de ovelhas? Você ouve o Vento lá embaixo, uivando pela porta aberta como um vigia soprando sua trompa? Então também ouve como ele assobia nas chaminés, fazendo o fogo estalar e faiscar. Como é aconchegante sentar-se ao lume quente do fogo ouvindo os contos que ele tem para contar. Deixe o Vento contar sua estória! Ele pode contar mais aventuras que todos nós junto. Vamos ouvir:
“Ufa! Ufa! Vamos, vamos!” Esse era o refrão da canção do Vento.
“Próximo ao Grande Cinturão havia uma velha mansão com grossas paredes de tijolos”, disse o Vento. “Conheço cada pedra dela; eu já as conhecia antes que fossem usadas para compor o Castelo de Marsk Stig, localizado no cabo. Ele tinha que desabar. As pedras foram usadas novamente, em novas paredes de um novo castelo, construído em outro lugar, a Mansão Borreby", prosseguiu o Vento.
“Eu observei os homens e mulheres nobres de todas as variadas raças que lá viveram. Agora vou contar a vocês sobre Valdemar Daae e suas filhas!”
“Ele vivia de cabeça erguida porque vinha de uma linhagem real! Ele sabia muito mais do que caçar corças ou esvaziar garrafões; ele sabia como administrar seus negócios e era muito confiante. Sua esposa andava orgulhosamente pelos salões de pisos brilhantemente polidos, em seu vestido de brocado; a tapeçaria nos cômodos era maravilhosa, e a mobília era toda de madeira com motivos nela esculpidos. Ela havia trazido muito ouro e muita prata com ela; havia cerveja alemã na adega; cavalos fogosos relinchavam nos estábulos; Mansão Borreby era um lugar muito rico.”
“E havia também as crianças, três graciosas donzelas, Ida, Johanna e Anna Dorothea. Eu bem me lembro de seus nomes,” continuou o Vento.
“Eram pessoas muito ricas e aristocráticas; as meninas nasceram e foram criadas na riqueza! Ufa! Ufa! É distante”, bramiu o Vento e depois continuou com sua estória.
“Não se via no castelo, como se via em tantos outros castelos nobres, a esposa e suas filhas sentadas em um grande salão girando a roda de fiar. Não, ela gostava de tocar o alaúde e de cantar suas canções, as quais raramente eram as antigas cançonetas dinamarquesas, mas sim canções em línguas estrangeiras. Havia vida e contentamento, hóspedes distintos os visitavam constantemente, e havia sempre música. O retinir de taças de cristal era tão alto que nem mesmo eu conseguia abafa-lo. Lá havia arrogância e ostentação, cheia de senhores, mas sem as benções do Senhor!” contou o Vento.
“Então um dia veio um pedido de socorro,” disse o Vento, “quando eu vim do oeste. Eu vi navios naufragados na costa de Jutland Ocidental, circulei sobre a charneca e as sobre as margens verdes da Ilha de Funen, e agora venho até o Grande Cinturão, soprando e rugindo. Eu repouso na costa da Zeeland, próximo a Mansão Borreby, onde ainda existe uma linda floresta de carvalhos. Os garotos da vizinhança foram a floresta coletar galhos e ramos secos, para fazer uma fogueira na cidade, ao redor da qual rapazes e garotas cantavam e dançavam”.
“Ainda repouso por lá”, disse o Vento, “mas balancei um dos galhos trazidos pelo o mais bonito dos garotos e, repentinamente, a chama de sua pilha de madeira tornou-se a mais alta de todas. Com isso ele se tornou o líder entre os rapazes, com o privilégio de ser o primeiro a escolher uma prenda, uma garota para acompanha-lo. Era muita alegria e divertimento, do tipo que eu nunca encontrei na rica Mansão Borreby” completou o Vento.
“Então a Senhora Daae conduzia uma carruagem dourada, puxada por seis cavalos, em direção a Mansão. Estavam com ela suas três filhas. Elas eram de fato três lindas moças, que lembravam flores: uma rosa, um lírio e um jacinto. A mãe era como uma tulipa, orgulhosa e esplendida. Ela nem ao menos cumprimentava as pessoas no caminho, as quais paravam o que estavam fazendo para saudá-la com reverências. Pomposa como uma tulipa ela passava de cabeça erguida. Sim, rosa, lírio e jacinto, eu as via as três; e que prendas se tornariam um dia, penso eu. Certamente seus jovens seriam garbosos cavaleiros, talvez até príncipes! Ufa! Ufa! Vamos, vamos!” completou o Vento. “E assim que a carruagem passou, as pessoas voltaram à dança. A chegada do verão estava sendo celebrada em muitas cidades, em Borreby, na vila de Tareby e em muitas outras,” rematou o Vento.
“Mas quando acordei aquela noite, a Senhora Daae havia se deitado para nunca mais se levantar,” confidenciou o Vento. “Aconteceu com ela como acontece com todas as pessoas, não há novidade sobre isso. Pesaroso, Valdemar Daae sofreu a perda por um tempo: ‘a mais altiva árvore pode dobrar, mas não quebrará’. As filhas choraram e todos na mansão também choraram. Senhora Daae havia partido e eu também parti em seguida”, disse o Vento.
“Mais tarde eu voltei, como sempre volto à Ilha de Funen e às águas do Grande Cinturão, descansando em Borreby ao abrigo da bela floresta de carvalho. Lá, águias, pombos torcazes, corvos e ate cegonhas fazem seus ninhos; era o tempo da primavera, e enquanto algumas aves chocavam seus ovos, outras já cuidavam de seus filhotes. Como eles voavam! Como eles grasnavam e gorjeavam! O som de um machado podia ser ouvido, machadada depois de machadada; as árvores estavam sendo derrubadas. Valdemar Daae havia decidido construir um navio. Um grande navio de guerra, com três deques, o qual certamente o rei gostaria de comprar, e por isso as árvores deveriam ser derrubadas e os pássaros perderiam suas casas. O falcão fugiu aterrorizado quando seu ninho foi destruído, a águia e as demais aves fugiram enraivecidas, bradando sua ira e agonia; eu podia entendê-los bem. Os corvos e as gralhas guinchavam em escárnio. Caw! Caw!” contou o Vento.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

O Conto do Vento: Ilustrações de Edmund Dulac

Edmund Dulac (1882-1953) ilustrou uma obra com contos de Hans Christian Andersen. 
Trata-se do Estórias de Hans Andersen”, de 1911, contando com quatro ilustrações para o conto "O Conto do Vento", também denominado "A Estória de Valdemar Daae e de suas filhas contada pelo Vento":

Senhora Daae toca e canta 

 Anna Dorothea colhe ervas

Valdemar Daae sintetiza ouro

Deixando a Mansão Borreby

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Frozen (Snow Queen, Rainha do Gelo) quebra recordes de bilheteria e marca um renascimento para a Disney (WSJ)

Quando Melinda Wedde levou sua filha Zoey para assistir ao filme "Frozen – uma aventura congelante", pela segunda vez em janeiro, foi um verdadeiro desafio convencer a garota de quatro anos a não a cantar todas as músicas do filme em voz alta na sala de cinema.
A animação musical da Walt Disney Co tem sido um sucesso surpreendente nos Estados Unidos. Desde sua estreia no país, em novembro, ela já superou uma série de novos lançamentos, tornando-se o filme de maior bilheteria da temporada de fim de ano. Há uma semana, ela alcançou a rara distinção de manter-se na liderança do ranking das bilheterias americanas pelo sexto fim de semana consecutivo.
No fim de semana passado, "Frozen" acumulou um total de US$ 317,7 milhões nos EUA, ultrapassando "O Rei Leão". Continua no Wall Street Journal.


terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Frozen (Disney) vs. A Rainha da Neve (H. C. Andersen)

Acabei de assistir o filme Frozen - Uma Aventura Congelante e achei muito bonito, com efeitos de refração da luz sobre o gelo muito realistas, enfim, uma boa diversão. O filme como um todo tem o estilão Disney com canções “I dream of” e final certo e feliz. Diz-se que a Disney já vinha tentando adaptar o conto de fadas A Rainha da Neve, de Hans Christian Andersen, desde 1943. Não foi uma, mas sim dezenas de ameaças desde essa data.

A propalada adaptação, entretanto, parece servir apenas como forma de dar à história do filme um aval de que se trata de uma trama interessante. Há certo paralelismo e a pegada final, de que apenas um gesto de amor verdadeiro pode fazer milagres, se mantém. A origem do mal que acomete Elsa é no filme inexplicável, no conto o mal surge da ação de um duende maligno, como Hans Andersen mostra logo na Primeira Estória. Anna incorpora a própria Rainha da Neve, que no conto é uma figura misteriosa, etérea, natural, guardiã do clima frio do norte. Mais desconcertante ainda é a junção de Kay e Gerda, personagens do conto, na figura central da trama do filme, Anna. Mais ainda, a adaptação economizou em itens fantásticos presentes no conto, como o jardim mágico de flores.

De qualquer maneira, vale a pena ver o filme agora ou no futuro. Melhor se puder ler o pequeno conto “A Rainha da Neve” (esse é dito ser o maior conto de Andersen, o qual ele teria levado apenas cinco dias para escrever).

Rainha da Neve, de Hans Christian Andersen é o terceiro título de Armada de Papel

A Disney lançou no final de 2013 (início de 2014 no Brasil) o filme de longa metragem de animação “Frozen- uma aventura congelante”, cuja estória se baseia no mais longo conto de Hans Christian Andersen “A Rainha da Neve”, publicado originalmente em 1844, com o nome de “Sneedronningen”. 
A adaptação modifica alguns aspectos do conto original, mas mantém um paralelo entre os personagens e a trama, na qual dois amigos, Gerda e Kay, são afastados por obra do destino. Enquanto Kay se torna refém da Rainha da Neve, Gerda sai mundo afora para encontra-lo. 
São sete estórias, ou cenas, nas quais se desenvolve a trama: 
PRIMEIRA ESTÓRIA: Que trata de um Espelho e de seus Cacos 
SEGUNDA ESTÓRIA: Um Menino e uma Menina 
TERCEIRA ESTÓRIA: O Jardim da Mulher que sabia Feitiçaria 
QUARTA ESTÓRIA: O Príncipe e a Princesa 
QUINTA ESTÓRIA: A Pequena Ladra 
SEXTA ESTÓRIA: A mulher Lapoa e a Mulher Finlandesa 
SÉTIMA ESTÓRIA: O que se passou no Palácio da Rainha da Neve e depois 
Traz também, em link externo, ilustrações de umas das edições onde o conto apareceu, criadas por Edmund Dulac.